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Lamento

Eu te penso e te escrevo Para a aflição aliviar, Mas ainda que ao teu lado, Mesmo ao te tocar, Não sei o que fazer com a alma Que me escorre pele abaixo, Ou com teu espírito em minhas mãos; Se engulo as lágrimas ou a carne Do coração sem dono Que ousa me dilacerar em vão. Me apaixonei pela dor Que é te amar, E toda consciência te entrego. Não digo que te quero  Por só saber te necessitar, E de meu anseio hei de beber. Banhar-me-ei de teu sangue Se meus olhos eu puder te oferecer. Do sofrer tardio e das vísceras que carrego Dentro de mim, não os conheço. Somos o que jamais fui, Seremos até esgotar qualquer penitência, Inexistente, carente e vil. Todas as estrelas me enlouquecem, Todos os dias me menosprezam Quando somem as memórias da fúria gentil. Já não vivo mais sob teu céu, Finito quando longe, Mas com o arder do enxofre Que minhas feridas abriu. Incerto do que é estar em teu abraço, De onde fugimos como tolos Até nele tropeçar, Escondido entre os espinhos Venenosos deste esquec...

Violino

Comprou o violino e tirou-lhe as cordas.

Memórias de pássaros

A memória lhe era ofuscada pelos pássaros.

A vela

A vela se apaga, solitária. Já se foram.

Perfume dos lírios

O perfume dos lírios me causam enjôo.

Chá

Ofereço-te chá, mesmo que não possa aceitar.

Azul e cinza

A casa era azul. Os moradores, cinzas.